Com José – repensar masculinidades!


Confesso que a figura de José me deixa inquieto. Uma mistura de encanto e angústia. Olho para o padroeiro da nossa diocese de Erexim/RS, de tantas comunidades e da Igreja universal e sinto que, talvez, a imagem que é passada é de um homem cabisbaixo e triste. Rita Lee canta uma música chamada “José” que fala um pouco sobre isso. Num dos trechos diz:

Me lembro as vezes de você Meu bom José, meu pobre amigo Que desta vida só queria Ser feliz com sua Maria!

Parece que faltou algo a José. Por outro lado, parece que ele teve tudo. Teve Maria. Teve Jesus. Teve fé. Teve trabalho. Teve silêncio. Não é minha vontade aprofundar as características de José, até porque, sobre ele se sabe muito pouco. Sabe-se mais do seu silêncio do que de sua palavra. Sabe-se mais da sua inquietude do que da sua vida. Sabe-se mais da sua sensibilidade do que do seu trabalho.

Algo que merece destaque é como São José ajuda a pensarmos um “novo jeito” de ser masculino. Imaginemos: numa época machista, patriarcal em que sequer mulheres e crianças eram contadas, José se apresenta como um homem da escuta, do diálogo, da sensibilidade a Maria e a situação da época. Maria aparecera grávida. Antes de apontar o dedo, antes de julgar, mesmo inquieto, José busca discernimento. Poderia, como era costume, julgar, condenar, “fazer o diabo” se quisesse... não fez! Discerniu e “sonhou”. Deus ajudou nesse caminho de discernimento. O resultado foi acolhida, foi companheirismo, escuta e fidelidade.

Ainda vivemos marcas profundas do patriarcado. As instituições, de maneira geral, preservam grandes marcas machistas. Os números de feminicídios aumentam. Do nosso lado, há mulheres sento violentadas e silenciadas. José, diante de tal cultura, nos ajuda sermos homens “novos” para reconhecermos o espaço/a vida da mulher. Necessariamente esse é o critério: homens “velhos”, ou, noutras palavras, consciência velha, não vai ajudar avançar. A postura de José ajuda. É, contudo, contraditória e provoca a pensar. Homem mesmo quem é? É o dominador? É o “chefão”? É o julgador? É o dono da casa? José vai em outra direção: sensibilidade, inquietude, diálogo, harmonia, silêncio. Talvez o verdadeiro homem.

Valei-nos José! Ajude-nos a sermos “homens de verdade” e a repensarmos nossa postura masculina numa cultura que ainda mantém características bastante machistas e transforma isso em sutil consciência permanente. Que o 19 de março nos ajude a celebrar sua memória, mas, sobretudo, repensar nossa postura.

Pe Maicon A Malacarne

#Igreja #Masculinidades #SãoJosé

108 visualizações

Encontre-nos nas redes

  • Curta nossa página no facebook
Juventudes e Espiritualidade Libertadora
Este site é uma iniciativa do coletivo que constrói os Encontros Nacionais de Juventudes e Espiritualidade Libertadora.