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Uma nova forma de viver o ecumenismo: a ecumenicidade

Atualizado: 1 de mar.

“coração meu tambor do peito meu amigo cordial fez de mim um amador”


Depois de tantos anos de estudos na teologia e de presença junto às juventudes vejo que, mais uma vez, o Espírito que sopra onde quer, nos remete ao mais profundo de cada um de nós, a algo que já sabíamos, que já sabemos e, que, por algumas razões, nos distanciamos e deixamos que estruturas de fechamento desse sopro ocupassem seu lugar em nossos pensares e fazeres. Mas, em sua liberdade, ele não se deixa represar por essas estruturas, porque é livre e amoroso e, assim, encontra as brechas que só o amor consegue perscrutar e alcançar.


Essa vivência é reconhecida pelas juventudes por um termo semelhante, mas que carrega uma novidade, que aqui buscamos apresentar: a ecumenicidade. A ecumenicidade é o estado do que é ecumênico, é a vivência, é a integração entre o pensar e o agir, é a mística que inspira, aquece e movimenta. Ela pode estar nos espaços institucionais, ela pode estar nos espaços não institucionais, porque é livre para voar.


É também uma compreensão que vem modificando o campo religioso brasileiro, constata Bianca Ortega.

A vida religiosa e os sentimentos de pertencimento dos jovens, só podem ser compreendidos se levarmos em conta as características contemporâneas desta sociedade com suas inter-relações entre redes e territórios, isto é, olhando para todas as relações desses jovens em seus espaços e convivências. (2019, 131)

As juventudes nos convidam a uma nova dinâmica relacional. É um caminho talvez não tão simples diante da complexidade das estruturas que nos envolvem, mas, com certeza, um caminho gratificante porque fundante, amoroso, e abraçado pela graça divina que tudo permeia e orienta.


Raimon Panikkar, um dos mestres do ecumenismo, usou a expressão ecumenismo ecumênico. Faustino Teixeira, um grande pesquisador e místico nesse diálogo, nos convida a pensar em desafio dialogal. O Manifesto da Assembleia do Povo de Deus nos fala do ecumenismo como uma descoberta na qual começamos a despojar-nos de nossos preconceitos e abraçamos com muitos braços e muitos corações o Deus Único e Maior.


A experiência de acolhida do sagrado é também uma experiência de humildade, de contingência e, quando nos percebemos em uma busca em comum, o que é o Mistério que nos reúne, nos convoca a cirandarmos em uma mística que principie nessa atitude de contemplação e reverência que conduz às demais atitudes que nossas juventudes nos convidam a vivenciar. Rose Fernandes (coordenadora do MEL, membro da Comunidade Bremen) Na primeira foto - Momento místico em Salvador/2023 - Welder Cardoso, Felipe Teixeira, Patrícia Oliveira e Frei Lorraine Na segunda foto - Celebração da partilha na praia em Fortaleza/2014

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